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O FEMININO E A HISTÓRIA NÃO CONTADA

O FEMININO E A HISTÓRIA NÃO CONTADA

O FEMININO E A HISTÓRIA NÃO CONTADA

A ERA DA GRANDE DEUSA OU GRANDE MÃE

A aproximadamente 2.400 a.c o mudo viveu a Era da Grande Deusa onde somente a mulher era considerada a criadora da vida, pois era ela a filha da Grande Mãe. A mulher era a grande responsável por tudo o que tinha relação com a vida. De acordo com as pesquisas antropológicas, as origens da humanidade são colocadas sob o signo e a supremacia da mulher, que era identificada com a natureza, que gera, imitando a ação da mãe-terra (Deby & Perrot, 1990).

Pela capacidade da mulher em parir uma nova vida e nutri-la com o leite de seus seios, ela foi associada com a terra. Sendo assim, a vida era compreendida como sendo uma dádiva da terra, de cujo ventre brotavam as plantas. Como se acreditava que a vida de todos os seres dependia da mãe-terra, a organização social dos povos girava em torno, principalmente, da agricultura, que estava a cargo das mulheres (Koss, 2000).

(Imagem: A Deusa Isis)

LILITH, A PRIMEIRA MULHER.

De acordo com os escritos do Zohar, livro que reúne textos de sabedoria rabínica dos testemunhos orais sobre o Gênesis, antes de Eva ser criada por Deus, ele criou Lilith para ser a primeira companheira de Adão.

Lilith é considerada um demônio, não uma mulher. Foi criada do pó negro e excrementos, ela era cheia de saliva e sangue, símbolo do desejo, e bela como um sonho. Aparece para Adão no Jardim do éden à sombra de uma alfarrobeira ornamentada com preciosos colares (Sicuteri, 1998).

É a mulher que faz o homem sentir pela primeira vez a relação sexual. Ela é sedutora, e aquela que sussurra e geme, porém o que a difere de Eva é que ela queria ser uma mulher com os mesmos direitos que o homem. Então, começa a questionar Adão sobre o motivo de ter que se submeter às vontades dele: “(…) – Por que devo deitar-me embaixo de ti? Por que devo abri-me sob teu corpo? Por que devo ser dominada por você? Contudo eu também fui feita de pó e por isso sou igual (Sicuteri, 1998, p. 35)”.

A recusa de Adão em conceder a paridade desejada por Lilith, a deixa irritada e faz com que ela se afaste dele. Quando Adão acorda e não acha sua companheira, dirige-se a Deus como um filho que confia na experiência e na autoridade paterna. O pai quer saber a causa do litígio e compreende que a mulher desafiou o homem e, portanto, o divino. Lilith tinha fugido em direção ao mar vermelho, Deus a chama e profere sua ordem: “O Desejo da mulher é para o marido. Volta para ele (Sicuteri, 1998, p.38)”.

Lilith não responde com obediência, mas com recusa e diz que não tem mais nada a ver com seu marido. Deus insiste. Porém Lilith se transforma, não é mais a companheira de Adão, não quer ser submissa a ele. Então, Deus manda uma ordem de anjos alcançarem Lilith e dão a ela a ordem de voltar para junto de Adão, pois, senão o fizer, será afogada. Lilith se recusa mais uma vez. Os anjos resolvem poupá-la, mas como castigo da desobediência da lei do marido e do pai, ela passa a viver vagando pelo mundo e seus filhos viram demônios. E desde aquele dia não houve mais paz ao homem, pois Lilith perturba seu sono induzindo-o a mortais abraços com as mulheres (Sicuteri, 1998).

O mito de Lilith foi censurado na Biblia e ficou de fora do livro, justamente por conter essa proposta onde a mulher contestava sua posição, reclamava seu lugar junto ao homem de forma igualitária e não de forma submissa. Os homens por sua vez temiam que essa passagem poderia influenciar mulheres da época a serem independentes perdendo assim o poder de dominação sobre elas. Daí surge a justificativa para a famosa Caça às Bruxas no século XV, XVI e XVII.

Assim a mulher, historicamente oprimida, é invalidada e governada pelo poder patriarcal, já na história de Adão e Eva, colocada na Bíblia por homens que a organizaram, destaca a mulher como inferior ao homem e sob seu total domínio, uma vez que ela não foi criada a partir da divindade e sim da carne e ossos do homem, portanto Ser imperfeito, que necessita da proteção e cuidado do homem para que não sucumba as tentações.

(Imagem: Lilith)

O FEMININO NA MITOLOGIA GREGA E O CONCEITO DE ANIMA

De acordo com o mito de Platão, Andrógino foi o primeiro ser que habitou o mundo e dentro de si carregava o princípio do masculino e do feminino, porém por inveja que os deuses tinham de seu enorme poder, resolveram dividi-lo em duas metades, o masculino e o feminino. Andrógino então passou o resto da eternidade buscando sua parte perdida para tornar-se inteiro novamente.

Essa parte feminina que Andrógino possuía foi chamado por Jung de arquétipo feminino ou Anima, que tem a função de conectar a consciência com a subjetividade de sua própria alma, aproximar o ser humano de seus sentimentos e intuições, promover conexões afetivas por meio do contato com os aspectos irracionais e ligados à natureza, acentuar os estados de humor, da criatividade e de abertura ao espiritual.

Pode-se entender que Anima seria a personificação de todas as tendências psicológicas femininas na psique humana, tanto do homem quanto da mulher, porém a visão de homem que impera no mundo atual é a de um homem fragmentado, que possui a mente separada do corpo, o pensamento separado do sentimento; ele é masculino ou feminino.

O homem não pode ser racional e intuitivo ao mesmo tempo, ou ele é uma coisa ou outra. Não há lugar para a comunhão das diversas polaridades; estas são vistas como realidades incompatíveis, que devem ser excluídas, pois a consciência não suporta o caos, tudo deve ser definido (Cavalcanti, 1993).

Foi a partir desse pensamento que o homem, identificado com o princípio masculino, tentou controlar tudo o que foi identificado por ele como princípio feminino: a natureza e a mulher.

Porém como em um movimento natural, essa repressão do aspecto feminino trouxe como consequência o super desenvolvimento do masculino.

(Imagem: Andrógino)

A AMORDAÇA DO FEMININO

O preconceito contra a mulher é sem dúvida o mais antigo preconceito da história humana, a mulher “coisificada” era tratada pelos antigos apenas como objeto de reprodução, além disso toda a história sobre a mulher é baseada em relatos, documentos e pinturas feitas por homens.

Desde a Vênus de Willendorf, obra do período paleolítico de uma mulher sem olhos, sem braços e com suas regiões genitais e seios destacados como uma peça de reprodução o corpo feminino tornou-se o centro das atenções, um mistério e um obstáculo para os homens, todos eles, desde Freud, Nietzsche a Schopenhauer e grandes pensadores com ideias brilhantes, mas com frases penosamente machistas.

O preconceito contra o feminino está arraigado, em todos nós, ele é culturalmente e minunciosamente ensinado desde que nascemos, seja por uma simples frase dita como “Homem não chora” ou “Esta pessoa dirige mal, deve ser mulher” (o que estatisticamente não é verdade, a grande parte de acidentes no trânsito, por exemplo, envolvem homens, mulheres são mais cautelosas ao conduzir) seja por estatísticas alarmantes que mostram que somente no Brasil mais de 500 mulheres são vítimas de agressões físicas a cada hora.

Nesse Dia Internacional da Mulher faz-se necessário rever a história para pensar em qual momento o feminino se perdeu, tanto nos homens quanto nas mulheres, como podemos resgatar o feminino que está dentro de nós, essa Anima que é parte integrante do nosso inconsciente e como podemos educar melhor, para que a mulher seja livre, verdadeiramente livre, para escolher e para se posicionar sem sofrer dessa misoginia que nos afeta diariamente.

(Imagem: Vênus de Willendorf)

Autora: Danielle Vieira – Psicóloga em Bragança Paulista e São Paulo – SP, CRP 06/131376.

 

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