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A MAJESTADE, O BEBÊ!

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A MAJESTADE, O BEBÊ!

“Sabemos que o mundo estava
lá antes do bebê, mas o bebê
não sabe disso, e no início tem
a ilusão de que o que ele
encontra foi por ele criado.
Esse estado de coisas, no
entanto, só ocorre quando a
mãe age de maneira
suficientemente boa”.
Winnicott

É na primeira infância que estruturamos a base de nossa vida emocional e de acordo com o Winnicott, pediatra e psicanalista que desenvolveu uma das teorias mais completas de desenvolvimento psíquico e emocional na infância, é nos cuidados maternos e na nossa primeira relação com o mundo que desenvolvemos grande parte de nossa personalidade, até 85% da personalidade é formada até os 2 anos de idade. Falhas no ambiente durante esse período, em especial até os 4 meses de idade, podem determinar diferentes consequências e quadros psicopatológicos.

Nos primeiros meses de vida o bebê ainda não sabe distinguir entre ele e a mãe, em sua percepção de mundo a mãe é apenas uma extensão de si mesmo, apesar de trazer consigo seu potencial inato de crescimento esse só poderá ser colocado em prática se tiver uma mãe suficientemente boa, um ambiente favorável, capaz de atender suas necessidades egóicas.

A mãe suficientemente boa tem 3 papeis importantes: “Holding (Sustentação)”, Handling (manejo), “Apresentação dos objetos”

Apresentação do Objeto é a fase em que a mãe apresenta ao bebê o seio ou a mamadeira, atendendo as expectativas do bebê que “espera” por algo e esse algo acontece, é nessa hora que o bebê tem a ilusão de que ele fez acontecer sentido-se onipotente, a majestade – o bebê. A medida que a mãe apresenta-se sempre disponível essa ilusão vai sendo reforçada e evitando que ele entre em contato com a angústia, protegendo-o.

Na fase de Holding a conduta emocional da mãe é crucial, o suporte e afeto fazem com que o bebê tenha a experiência de cuidado com o ser, sem ser invadida pela mãe-ambiente nem ignorada, aos poucos a construção da psique vai sendo feita e paralelamente acontece a fase de Handling, ou o manejo cuidadoso e carinhoso, uma relação positiva que a mãe vai construindo e mantendo, o contato físico com o bebê aos poucos levará a criança a reconhecer seu corpo e assimilar o corpo como sua propriedade.
A partir dessa experiência vai sendo construído o Self, que Winnicot chama de “verdadeiro self”, o contrário de um ambiente acolhedor e suficientemente bom pode resultar em um “Falso Self”. Quando o ambiente é falho, o bebê cria um “outro eu” para lidar com o mundo, com a realidade que vive, o Falso Self pode ser usado como forma de se adaptar ao ambiente e supre o verdadeiro self. Sem o ambiente que atenda as necessidades egóicas o bebê entra em angústia e se defende fazendo surgir organizações patológicas da personalidade, como a esquizofrenia, autismo, personalidade esquizóide, borderline, entre outros.

Com o passar do tempo as falhas naturais da mãe fazem com que a criança sinta a angústia de separação, sentimento necessário para que a criança passe a perceber a mãe como “outro”, é nessa fase que objetos transacionais podem aparecer (polegar, paninhos, brinquedos, fraldinhas) e eles são extremamente importantes, podem fazer uma ponte entre o mundo interno e o mundo externo do bebê, ajudando nessa transição de dependência absoluta para uma dependência relativa.

A fase de dependência relativa vai entre os 6 meses e 2 anos de idade, é nessa fase que a criança passa a perceber a realidade externa e aproveita das falhas naturais da mãe para desenvolver-se, o que Winnicott chama de “fenômeno transicional”.

Esse espaço transicional persiste ao longo de toda a vida. Será ocupado por atividades lúdicas e criativas extremamente variadas. terá por função aliviar o ser humano da constante tensão suscitada pelo relacionamento da realidade de dentro com a realidade de fora

Ainda nessa fase transicional é necessário que a mãe suficientemente boa resista, pois a ausência da mãe por longos períodos nessa fase pode desencadear psicopatologias.

Durante o desenvolvimento o bebê é capaz de lidar com as adversidades do ambiente e as falhas, contanto que ele tenha uma mãe e um ambiente materno primário em que ele possa confiar. Cabe a mãe a árdua tarefa de “sobreviver” ao bebê sem retaliar e sem sucumbir.

 

Autora: Danielle Vieira – Psicóloga em Bragança Paulista e São Paulo – SP, CRP 06/131376.

Referência: Winnicott, D. W. (1945d) “Desenvolvimento Emocional Primitivo” Da Pediatria a Psicanálise, 2000.

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