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Juntos e Shallow – Sobre os relacionamentos rasos

Juntos e Shallow – Sobre os relacionamentos rasos

 “Amar é encontrar riqueza fora de si” 

Alain (1868-1951)

Há pouco tempo tivemos a polêmica da versão em português da música Shallow originalmente composta pela cantora Lady Gaga e pelo ator Bradley Cooper para o filme nasce uma estrela.

Ao contrário da ideia original que conta a história de um relacionamento profundo e intenso no campo dos afetos, retratado pela trilha sonora que diz em sua letra “estamos longe do raso” ou longe da superfície, dependendo da tradução, a versão em português cria uma nova ideia tão verdadeira quanto assustadora, a ideia de “juntos e shallow”, estamos juntos mas no raso.

Mas o que isso poderia ter a ver com a nossa realidade, alguns diriam que é só uma música, mas é justamente através da música, da arte e da poesia que a sociedade funda seus pilares, conta sua história e representa suas formas de viver. Freud diz em um de seus textos “Aonde quer que eu vá descubro que um poeta esteve lá antes de mim”, é na arte que reside um campo de sabedoria imensurável, o campo dos afetos.

A versão juntos e shallow mostra um dos maiores dilemas que parecemos viver atualmente nos relacionamentos, o medo de envolver-se no outro, digo no outro mesmo e não com o outro, quanto mais nos envolvemos no outro menos nos envolvemos narcisicamente em nós mesmos e para algumas pessoas isso torna-se perturbador, porque revela nossa dependência o quanto não somos auto-suficientes, por mais que esse seja o discurso atual de uma supervalorização narcísica da individualidade.

Uma das teses principais de Lacan é que nos construímos a partir do outro, o EU é um outro, é uma imagem ao qual eu me alieno e tento sustentar, se o EU é um outro, podemos pensar que mergulhar profundamente em um outro faz com que possamos entrar em contato com o mais profundo do nosso EU, inclusive as angústias, os desejos, a possibilidade do desamparo, da incompletude e da falta.

Quando não é possível suportar esse tipo de angústia vive-se em encontros e desencontros, idas e vindas, trocas e trocas, na tentativa de evitar esse encontro com o “outro dentro de mim”, geralmente terceirizando essa responsabilidade de fracasso ao outro que não atendeu às demandas necessárias para sustentar o relacionamento.

Estar “juntos e shallow” em um mundo tão auto-centrado é interessante e atrativo, parece evitar a dor do sofrer pelo outro mas na realidade expõe um vazio engolidor e essa tem sido uma das maiores demandas atuais na clínica, sinal de que o sofrimento não diminui porque ficamos no raso. Em um relacionamento de amor não há completude mas há a experiência alternada entre o bom e o ruim, prazer e desprazer. Amar é às vezes ser mar e por vezes ser continente, pois o mais íntimo só se revela através desse mergulho no outro, o que não significa ser fácil, nem um pouco, é preciso muita coragem para amar.

 

Essa matéria tem caráter informativo, se você se identificou com algum sintoma procura ajuda profissional de um psicólogo.

Autora: Danielle Vieira – Psicóloga em Bragança Paulista e São Paulo e fundadora do IIPB, CRP 06/131376.

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