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Ministério da Solidão – Estamos cada vez mais solitários?

Ministério da Solidão – Estamos cada vez mais solitários?

No Reino Unido foi criado o Ministério da Solidão, a nomeada para chefiar o ministério, Tracey Crouch, terá como missão combater a solidão no país, que de acordo com pesquisas chega a 9 milhões de pessoas que dizem viver permanentemente ou frequentemente sozinhas. Dentre as estatísticas estão jovens, adultos e idosos.

O problema que vêm afetando a população do mundo todo, foi detectado pelas autoridades do Reino Unido como um problema silencioso, uma “epidemia oculta”, “a triste realidade da vida moderna”como descreveu a primeira ministra britânica Theresa May.

A notícia é polêmica e levantou diversos questionamentos em diferentes campos de pesquisa, à psicanálise cabe pensar através de uma perspectiva do sujeito, da cultura e das constantes mudanças na forma com que nos relacionamos.

Seria a solidão um sintoma do estilo de vida moderno?

Nos tornamos tão independentes que nos defendemos do “depender do outro”?

Seria a conexão online uma falsa sensação de um estado de não-solidão?

A solidão tem a ver com não estar acompanhado ou é possível sentir solidão a dois, a três, a quatro?

Talvez nem todas as perguntas tenham uma única resposta, mas o que se vê na clínica é uma demanda cada vez mais crescente de pessoas que trazem uma angústia profunda sobre a solidão. Pessoas que estão sozinhas, acompanhadas, solteiras, casadas, não há um padrão, a solidão parece ser uma condição humana.

O sentimento de solidão está ligado a angústia da constatação de que somos sujeitos à falta, somos “seres faltantes”, essa mesma falta que nos move também é a falta que angustia. Não à toa temos tantos comportamentos compulsivos, tantos excessos em fazer, que parecem ter em ultima instância a finalidade de ocupar um lugar do vazio, seja pelo trabalho, pela comida, pelas drogas, entre tantas outras formas de evitar enxergar o quão solitário é ser humano.

Solidão é o sentimento sobre a presença da ausência, pode-se dizer que produzir mais solidão pode sim ser um efeito colateral de tantos mecanismos tecnológicos que criamos para evitar viver esse estado solitário, que pode inclusive ser criativo e contemplativo, o que chamamos de Solitude, uma “solidão positiva”.

Além disso, cada vez mais os relacionamentos se desfazem e refazem, trazendo um estado de solidão maior a cada frustração com o término de um relacionamento, fazendo com que a ideia mais fantasiosa criada pelo capitalismo, “o mito do amor romântico e eterno”, vá se desfazendo na realidade do sujeito que muitas vezes sente não se encaixar nesse padrão idealizado e imaginário e com isso retorna à um estado perigoso de fechamento para o mundo.

Ao pensar em solidão, quase sempre pensamos nas pessoas idosas, que no final da vida encaram de perto o estar só, seja pela morte dos entes queridos ou pela falta de tempo dos que ficam e talvez em algum ponto da vida todos nós tenhamos que encarar e viver esses momentos a sós com nossa própria existência porém a forma como cada um irá enxergar a solidão depende bastante de quanta maturidade psíquica e auto conhecimento foram adquiridos ao longo da vida.

É possível transformar a solidão em solitude?

Compreender a solidão em sua vida e transformá-la em solitude, em um estar só positivo, é possível e pode ser extremamente criativo e produtivo. Para isso é necessário permitir-se viver a solidão, questionar-se, compreender os sentimentos e pensamentos que fazem parte de você. Através de uma auto análise e também de uma análise pessoal é possível tornar consciente e despertar uma nova forma de enxergar-se no mundo e buscar um novo sentido para esses momentos a sós.

“Por muito tempo achei que a ausência é falta.
E lastimava, ignorante, a falta.
Hoje não a lastimo.
Não há falta na ausência.
A ausência é um estar em mim.
E sinto-a, branca, tão pegada, aconchegada nos meus braços,
que rio e danço e invento exclamações alegres,
porque a ausência, essa ausência assimilada,
ninguém a rouba mais de mim.”

Carlos Drummond de Andrade

Essa matéria tem caráter informativo, se você se identificou com algum sintoma procura ajuda profissional de um psicólogo.

Autora: Danielle Vieira – Psicóloga em Bragança Paulista e São Paulo e fundadora do IIPB, CRP 06/131376.

 

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