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Que fome é essa?

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Que fome é essa?

Tenho escutado muitas pessoas falando de descontrole alimentar durante esses dias de privação social, parece ser um sintoma bem comum e amplamente aceito pela sociedade. Afinal, comer é bom, comer dá prazer e até mata a fome de vez em quando.

O ato de comer nasce apoiado em uma necessidade básica para sobreviver mas a comida tem se tornado, cada vez mais, objeto de desejo, objeto de prazer e até mais além do prazer, objeto de gozo, de satisfação imediata, de um gozo que inclusive pode ser mortal. No Brasil mais da metade da população, 55,7% está acima do peso e a obesidade cresceu 67,8% nos últimos treze anos segundo o Ministério da Saúde.

Os alimentos processados parecem estar no topo das causas da obesidade, alimentos rápidos, práticos que atendem a demanda de prazer do consumidor e que saciam rapidamente, sempre deixando o gostinho de quero mais. A lógica orientada ao consumo leva em consideração o fator tempo para a satisfação do consumidor. O tempo deve ser reduzido ao mínimo, com a finalidade de deixar o consumidor confuso, acarretando-lhe uma perda concentração no seu desejo. (Bauman, 1999, p. 90). Assim, nessa confusão da falta de tempo o mercado identificou que fast food, alimentos rápidos, práticos e baratos, devem ocupar esse lugar de desejo.

Em tempos de isolamento social é natural que o problema não seja mais a falta de tempo, ou talvez esse nunca tenha sido o problema, o pano de fundo do descontrole alimentar parece ter a ver com o dilema angústia x prazer.

Ao fazer esse encontro com a solidão que a quarentena impôs, parece que identificamos o vazio, não só o vazio do tempo, mas também a falta que é própria de cada um, e confundimos com o vazio do estômago, um erro de linguagem mas que remete a uma estrutura contemporânea de reduzir o sujeito a um sujeito de gozo, uma máquina que busca satisfação o tempo todo.

O que gera essa satisfação não é o objeto, porque isso é variável, (seja ele a comida, a bebida, as compras, as drogas), o que parece gerar a satisfação é justamente o impulso de comer (o ato). Em última instância o impulso de consumir algo tem a ver com a ideia de restabelecer o laço com algo perdido.

Em um momento em que a angústia está acima da média para muitas pessoas, a busca de prazer também parece ter aumentado, tanto no desespero de comprar comida no supermercado, para não faltar, no comer exagerado na tentativa de preencher esse vazio, quanto no aumento do consumo de bebidas alcoólicas, romantizadas nas lives dos sertanejos. Uma resposta ao mal estar da nossa civilização em quarentena, que revela uma maneira primitiva de lidar com os afetos. O afeto está fora do campo da palavra, passa pelo corpo, e é justamente o afeto que faz esse encontro do sujeito com a falta.

Entre todas as paixões, segundo Tomás de Aquino, as mais difíceis de regular são aquelas que favorecem os prazeres naturais, companheiras de nossa vida, como o de beber e comer. É importante frisar que buscar um alimento conforto em momentos de angústia não é um crime, mas é importante questionar e tentar compreender qual afeto está por trás disso. O problema não é a comida, é a maneira que se faz uso dela.

Referências

Aquino, T. (2001). Os sete pecados capitais. São Paulo: Martins Fontes.         [ Links ]

Bauman, Z. (1999). Globalização, consequências humanas. Rio de Janeiro: Jorge Zahar.

de Campos, Sérgio, Assis Ferreira, Roberto, de Freitas Cunha, Cristiane, & Braun, Lisley. (2012). Comida: semblante do objeto a. Psicologia em Revista18(1), 28-40. https://dx.doi.org/10.5752/P.1678-9563.2012v18n1p28

 

Essa matéria tem caráter informativo, se você se identificou com algum sintoma procura ajuda profissional de um psicólogo.

Autora: Danielle Vieira – Psicóloga em Bragança Paulista e São Paulo e fundadora do IIPB, CRP 06/131376.

 

 

 

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